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quinta-feira, 30 de janeiro de 2020
NO MUNDO
Andando pelas ruas
Qualquer canto era um lar
O teto era azul, cinzento
Ou então cor-de-marquise
piolhos, indiferença,
albergue, surra
fome, violência
sarna, repulsa, cura
Quando as ruas e os dias
os céus e os gramados eram seus
Sempre havia um viralata
Sempre havia um irmão
Familia, tratamentos
Clínica, sabão, água quente
Prozac, Ritalina, unguentos
O teto, sempre a mesma cor
A cama é macia e limpa
E a comida é quente
Mas que saudade da rua!
quinta-feira, 14 de novembro de 2019
terça-feira, 31 de maio de 2016
sexta-feira, 26 de fevereiro de 2016
Sob o céu, dois pés no chão
Escrever um poema sobre o céu
sem rimar "Lua" com "nua",
sem a melancolia do azul,
nem falar em paz eterna,
nem de paraíso,
nem de chuva, nem de granizo,
um poema sem duplo sentido,
sem nuvens branquinhas
(que parecem de algodão)
e sem falar na cor do chumbo
um poema sobre o céu,
sem peso e sem leveza,
sem horizonte
e sem sol escaldante,
um poema, aliás, e principalmente,
que não diga "firmamento".
Um poema sem propósito:
apenas o chão por baixo,
o céu por cima
e nós entre essas duas linhas
escrever um poema sobre o céu
só pra ler nas estrelinhas.
segunda-feira, 7 de dezembro de 2015
a temer , o que?
a temer , o que?
a temer, o ovo da serpente:
a temer, a própria traição
a temer, o desprezo dos traídos
a temer, o desprezo dos que compram traidores
a temer, não a morte, que a terra é leve
a temer, não a terra, que é leve e fértil
a temer, a lama.
a temer, nada, senão o próprio medo.
nada a temer, senão o próprio medo.
a temer, o medo.
muito medo a temer.
a temer , o que?
a temer, o ovo da serpente:
a temer, a própria traição
a temer, o desprezo dos traídos
a temer, o desprezo dos que compram traidores
a temer, não a morte, que a terra é leve
a temer, não a terra, que é leve e fértil
a temer, a lama.
a temer, nada, senão o próprio medo.
nada a temer, senão o próprio medo.
a temer, o medo.
muito medo a temer.
quinta-feira, 2 de abril de 2015
quinta-feira, 22 de maio de 2014
quarta-feira, 21 de maio de 2014
Aeroporto blues
...e o dia amanhece lá fora.
O sol se põe em Beijing
chove em Bora Bora.
Tanto queria queria ficar
quanto queria ir embora.
Só sei que o amanhã de ontem
chegou e já é agora.
domingo, 23 de fevereiro de 2014
o (mau) passado que não passou
(fragmento de algo inacabado, mal começado, mal digerido)
sem medo de ser feliz
lutei para mudar o país.
não para ver, como dantes,
policiais prendendo estudantes.
sem medo de ser feliz
lutei para mudar o país.
não para ver, como dantes,
policiais prendendo estudantes.
domingo, 21 de julho de 2013
manuscrito
.
para o Mucio Góes e M.C. Escher,
poetas de mãos e dores
.
poesia a mão
que escreve poesia
segunda-feira, 28 de janeiro de 2013
terça-feira, 1 de janeiro de 2013
sábado, 8 de setembro de 2012
SOMENTE
Eu não minto,
apenas invento
o que sinto.
ah este vento
só na mente
sopra o momento.
não, eu não minto!
o que invento
é o que sinto.
terça-feira, 28 de agosto de 2012
ampulheta
onde o deserto troca de lado
mas segue, sempre, deserto
vazio cada vez menos
tanto em cima
como embaixo
a areia que resta
é a vida que escorre
enquanto o último grão
solitário beduíno
assiste ao mundo que some
até o início dos tempos.
segunda-feira, 19 de dezembro de 2011
SEMPRE UMA FALTA
Faltava descobrir o que faltava
depois, faltava lutar por mudança
daí, faltava descobrir
que eu é que precisava mudar
Depois, faltava ver
que eu tinha mudado
agora falta esperar
a falta, finalmente, faltar.
domingo, 20 de novembro de 2011
quarta-feira, 2 de novembro de 2011
o pé, a pedra, o mundo e o caminho
(pro Carlos)
por andar
a pé, drummond
encontrou
a pedra, o mundo.
e a pedra
no meio do vasto mundo
tinha um caminho...
quinta-feira, 11 de agosto de 2011
quinta-feira, 2 de dezembro de 2010
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