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quinta-feira, 30 de janeiro de 2020
NO MUNDO
Andando pelas ruas
Qualquer canto era um lar
O teto era azul, cinzento
Ou então cor-de-marquise
piolhos, indiferença,
albergue, surra
fome, violência
sarna, repulsa, cura
Quando as ruas e os dias
os céus e os gramados eram seus
Sempre havia um viralata
Sempre havia um irmão
Familia, tratamentos
Clínica, sabão, água quente
Prozac, Ritalina, unguentos
O teto, sempre a mesma cor
A cama é macia e limpa
E a comida é quente
Mas que saudade da rua!
sexta-feira, 28 de março de 2014
Where have all the bloggers gone?
Após mais tempo do que devia, passeio pelos blogues nos quais, em outros tempos, encontrei a sintonia necessária em um mundo que se desintegra. Conheci blogues de loucos, poetas, sonhadores, muitos perdidos em sua sabedoria às avessas. E havia o meu, que me dava acesso a este grupo tão seleto de blogueiros. Muitos blogues sumiram. Dos restantes, tantos, como os meus, parecem condenados à melancolia do abandono. Os raros comentários nas postagens esparsas são sinais de alento, dizendo aos autores que não estão sós nesta solidão.
Conheci muita gente bacana, as trocas de comentários e idéias semeavam e alimentavam novos escritos, junto com a sensação de pertencer a algo, talvez um exército de quixotes, cetáceos quase extintos, subindo à tona para respirar.
O passeio foi bom e triste.
Admiro e fico feliz por quem segue escrevendo, mesmo na sensação de que ninguém lê. (Afinal, para quem escreve quem escreve?)
Também admiro e compreendo quem desistiu. (Atire a primeira pedra quem nunca.)
Este espaço segue aqui, por enquanto, à míngua de escritos novos, mas marcando a possibilidade da existência, ainda que em estado latente.
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