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quarta-feira, 27 de janeiro de 2010

Imagem fora de lugar


Do alto, os campos, as árvores, os animais, as casas, tudo parece de brinquedo. Entre dois morros, as águas de um rio correm alegremente para longe e tudo é muito distante e muito completo, na amplidão. De longe, estamos dentro da paisagem, porque estamos fora dela, esta imensidão que nos engole como um mapa.

Logo à frente, correndo sobre os trilhos, um trem corta o mundo em norte e sul. Penso, imediatamente, em um zíper, ao mesmo tempo unindo e separando o lugar onde estou dos outros lugares, e o agora dos outros tempos.

sábado, 18 de outubro de 2008

Elementar, meu caro senhor *

.
Quando meu livro está fechado
(ou mesmo aberto)

sem ser lido
não sou
não percebo
o tempo
. . . . . . (se é que passa)
o espaço
. . . . . . (se é que espaça)

portanto, meu senhor
nada posso declarar
acerca dos fatos
daquela noite

que nem sei mesmo
se aconteceu
ou se era noite

mas, se quer mesmo saber
leia o livro
e, por favor,

solte o mordomo.
______________________
* publicado originalmente no
Sindicato dos Escritores Baratos