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terça-feira, 31 de maio de 2016
sábado, 28 de fevereiro de 2009
inho > ão...
.
se caminho é inho
e caminhão é ão
como pode haver
tantos caminhões
em tão poucos caminhos?
as palavras, definitivamente,
não são do tamanho que dizem ser.
.
se caminho é inho
e caminhão é ão
como pode haver
tantos caminhões
em tão poucos caminhos?
as palavras, definitivamente,
não são do tamanho que dizem ser.
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terça-feira, 24 de fevereiro de 2009
Kriptonita
. . . . . . . . . . . Sou forte
. . . . . . . . . . . resisto a tudo
. . . . . . . . . . . mas a você
. . . . . . . . . . . cedo ou tarde
. . . . . . . . . . . sempre cedo
.
domingo, 30 de novembro de 2008
ainda *
.
nada de novo
e o nada
se desmanchando
em algo
velho
de novo
.
________________________
* Publicado originalmente no
Sindicato dos Escritores Baratos
nada de novo
e o nada
se desmanchando
em algo
velho
de novo
.
________________________
* Publicado originalmente no
Sindicato dos Escritores Baratos
sábado, 18 de outubro de 2008
Elementar, meu caro senhor *
.
Quando meu livro está fechado
(ou mesmo aberto)
sem ser lido
não sou
não percebo
o tempo
. . . . . . (se é que passa)
o espaço
. . . . . . (se é que espaça)
portanto, meu senhor
nada posso declarar
acerca dos fatos
daquela noite
que nem sei mesmo
se aconteceu
ou se era noite
mas, se quer mesmo saber
leia o livro
e, por favor,
Quando meu livro está fechado
(ou mesmo aberto)
sem ser lido
não sou
não percebo
o tempo
. . . . . . (se é que passa)
o espaço
. . . . . . (se é que espaça)
portanto, meu senhor
nada posso declarar
acerca dos fatos
daquela noite
que nem sei mesmo
se aconteceu
ou se era noite
mas, se quer mesmo saber
leia o livro
e, por favor,
sexta-feira, 10 de outubro de 2008
Avesso do avesso*
Era de um ateísmo fervoroso.
Até concluir que qualquer coisa
que gere tamanha descrença,
tamanho desprezo, não poderia
simplesmente inexistir.
O novo hábito não lhe caiu mal.
__________________________________________
* publicado originalmente nos minimínimos.
...
conto,
crença,
dos minimínimos,
filosofia,
lógica,
microconto,
paradoxo,
prosa,
religião
quinta-feira, 21 de agosto de 2008
Mesa de bar *
.
I
- ...é um paradoxo, seja lá o que se faça, a ética será ferida. De um lado...
- Quanta besteira! Certo é certo, errado é errado!
- Bah! Tu sempre estragas a discussão! Já íamos tão bem...
II
–... eu pago, faço questão.
–De modo algum! Eu convidei!
–Meio a meio?
–Tá, é justo.
–Ihhh, rapaz...! Esqueci a carteira.
–...eu ia te pedir emprestado para pagar a minha parte...
_______________________________
* publicados originalmente nos minimíminos.
...
conto,
dos minimínimos,
filosofia,
mesa de bar,
microconto,
miniconto,
paradoxo,
prosa,
vento,
vida
sábado, 14 de junho de 2008
até a uva passa
. . . . . . . . fora de estação
. . . . . . . . o sabor da fruta
. . . . . . . . só que não.
quarta-feira, 23 de abril de 2008
distância *
Tomou do telefone para falar com a criança que fora. Ocupado ou não atendia, sabe-se lá. Escreveu uma carta. A resposta não chegou. O carteiro, quanto mais andava, mais distante. Ao longe, um aceno.
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* livremente inspirado neste post, "atrás do olhar" do Blog Minimínimos.
sexta-feira, 11 de janeiro de 2008
A Estréia
Na platéia, figuras imponentes dos três poderes, representantes do clero, construtores, empresários, banqueiros, oficiais das três armas e da polícia militar, delegados, tabeliães, professores, balconistas, garçons, cozinheiros, alguns operários, o menino do farol com seus chicletes, o guardador de carros com seu paninho sujo e outros dignos representantes da sociedade. Conversam animadamente, respeitando os costumes e os limites sociais adequados, mantidos da forma mais conveniente. “Conversa-se com quem se tem assunto.” Nada faz mais sentido nesta data, ao mesmo tempo solene e festiva.
Há grandes expectativas e o otimismo para o futuro é contagiante. O futuro é lindo, visto daqui!
O país em franco desenvolvimento. Com redução dos impostos e dos juros, teremos crédito barato, o consumo em alta, a inflação controlada e baixa. A produção industrial estará em crescimento, a poupança, em ascensão e as exportações crescerão. A reforma agrária trará a maior produção agrícola da nossa história. A igualdade social será construída sem prejuízo para os mais abastados. Todo cidadão terá tudo que precisa para viver com dignidade e talvez até um pouco mais. A saúde e a educação públicas atingirão níveis de excelência, patamar a ser alcançado pelo setor privado. Todas as formas de crime e de injustiça serão abolidas. As drogas, o aborto, a corrupção, a pobreza, a inveja, a ira, a vaidade, o ódio, o adultério, desaparecerão sem que medidas mais duras precisem ser tomadas. Criminosos, terroristas e conspiradores terão consciência do mal que fazem à sociedade, entregarão suas armas e irão espontaneamente viver como monges reclusos. E serão felizes.
O momento se aproxima. Primeira chamada, segunda chamada, terceira chamada, as luzes se apagam. Contagem regressiva. 10, 9, 8, 7, 6, 5, 4, 3, 2, 1...
As cortinas se abrem. Sobre o palco ao fundo, há um espelho enorme. Em frente a ele, em pé, um homem pequeno, franzino e nu, cobre os olhos e os genitais. Não tem cabelos, não é jovem, nem velho. A cabeça é grande e o corpo todo tem uma aparência de secura áspera.
Aos poucos, ele se encolhe até encostar a cabeça no chão, sem descobrir o rosto e os genitais. Treme e soluça, como se tudo lhe faltasse. A luz ilumina a platéia silenciosa, estática.
No silêncio há um arrepio, agudo, gelado, aquela fração mínima de tempo que se demora a perceber o corte de uma navalha. E o silêncio se dilata.
O corpo, jogado ao chão, soluça convulsivamente. Faltando-lhe mais mãos para se cobrir por inteiro, mantém os genitais e os olhos cobertos.
O espelho agora reflete cada espectador, individualmente. Por um instante mágico, toda hipocrisia, toda mentira, toda vileza, toda iniqüidade, surgem monstruosas, caricatas, e cada um vê a si mesmo, seus pecados, seus crimes, suas máculas, suas omissões e mentiras confortáveis. Depois, vêem-se em seus grupos. Logo, num quadro bizarro, todos reconhecem na podridão alheia as suas próprias.
O público permanece imóvel como um suspiro preso, o tempo suspenso, que não é agora.
Ouve-se o ruído de pés correndo, pesados. Logo se percebe o pequeno homem a correr a esmo pelo palco. Quando encontra o espelho, ataca-o às cabeçadas e com os cotovelos, pés, joelhos, ombros, com o corpo todo, sem nunca descobrir os olhos ou as virilhas. Corta-se, sangra e continua a golpear o ar, pisoteando os cacos, mesmo com o espelho já completamente destruído. Seus soluços, quase infantis, vão sumindo enquanto ele se enrola lentamente no chão, no meio exato do palco. Finalmente, resta apenas o ritmo da respiração ofegante.
Em silêncio, fecham-se as cortinas.
O teatro suspira em uníssono. As expressões se relaxam, como sob a brisa fresca ao fim do dia quente.
Agora tudo está mudado. O que passou, passou. Sem ressentimentos, é hora de reiniciar!
Como se ensaiada, arrebenta uma onda de aplausos, palmas, assobios!
Todos gritam seus votos e riem e choram e se abraçam, até que as lágrimas secam sobre os rostos cansados de sorrir.
Voltam, então, para suas casas, suas vidas.
O ano novo estreou.
terça-feira, 18 de dezembro de 2007
segunda-feira, 3 de dezembro de 2007
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