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domingo, 13 de dezembro de 2015

citações inventadas (5)


"Não importa o quanto você for amado pelas pessoas, não importa a saudade ou o tempo.
Ninguém, nunca, vai mostrar tanta alegria ao ver você quanto o seu cachorro."

(Ulisses, o Odisseu)

quinta-feira, 2 de abril de 2015

Tentativa de haicai (12)


...e ouço do mestre:
 
hai! cair é só deixar
 
a ficha cair.

quarta-feira, 21 de maio de 2014

Aeroporto blues


...e o dia amanhece lá fora.
O sol se põe em Beijing
chove em Bora Bora.
Tanto queria queria ficar
quanto queria ir embora.
Só sei que o amanhã de ontem
chegou e já é agora.

domingo, 30 de março de 2014

Pergunta sincera


Afinal, 
        o que você quer ser   
        quando crê ser?


segunda-feira, 28 de janeiro de 2013

PLENO


atravesso este sertão,
solitude inevitável,
em busca do não ser tão
nem tanto

apenas ser

a penas, ser


a pé, nascer.

sábado, 8 de setembro de 2012

SOMENTE


Eu não minto, 
apenas invento 
o que sinto.

ah este vento
só na mente
sopra o momento.

não, eu não minto!
o que invento
é o que sinto.

quinta-feira, 11 de agosto de 2011

Cria



Quando cria, apenas cria.

Hoje, dividido 
entre a vida 
  e a dúvida,
não mais creio nem duvido.

E tudo em que antes cria,
agora em cio, eu mesmo crio.

.

sexta-feira, 27 de agosto de 2010

Intimidade


de um lado, a lua cheia
do outro, o sol poente
ali, a vida alheia
aqui, é só a gente

outros não verão
o outono-inverno
que nos primavera
.

sábado, 27 de março de 2010

Miragem

.
Como não morrer de sede

neste mundo tão seco
se cada vez que te encontro
eu mesmo me perco?
.

quinta-feira, 25 de março de 2010

1972


Uma saudade intransitiva

como um por-do-sol de outono
às margens do Guaíba.

(aos seis anos eu nem sabia o que era solidão)

quarta-feira, 17 de março de 2010

Brainstormy-Lines


-Aspirante a escritor, nesta idade? É melhor você se apressar antes que passe de aspirante a inspiração para alguma tragédia ou, pior, alguma comédia bufa escrita por outro.

Finjo que ignoro o cara. Só porque ele fala do outro lado do espelho, acha que pode dizer tudo que pensa? Um dia, ainda o encho de porrada, mas não agora. Nem respondo, porque não gosto de conversar nem de comer enquanto me barbeio. Já me disseram que escritor não tem idade para começar a carreira e que muitos dos grandes começaram tarde.

-Ah, sei... não há idade para se começar a escrever -o desgramado parece que lê pensamentos- mas, já pensou se houver uma idade para se PARAR de escrever? e se você começar a escrever depois da idade em que já devia ter parado? Fico com medo que isto gere um paradoxo, uma dobra no espaço-tempo que possa engolir todo o universo, destruindo tudo que conhecemos e até o que ignoramos...

-Ora, cale-se! digo pro panaca do outro lado do vidro. Lavo o rosto e saio do banheiro, o humor estragado.

De passagem pela cozinha, pego um copo de refresco sabor "Pequi Verde" (é da D-Lite, e eu nem ganho comissão de merchan para escrever isto aqui) e venho pro computador. Escritor tem que ter um copo ou xícara de alguma coisa líquida do lado, faz parte das leis da natureza. E cinzeiros, mesmo que não fume. Como parei de fumar, acendo uns incensos para dar um clima ao escritório e um uso aos cinzeiros. Em meio à fumaça, começo a produzir uma série de "story-lines", sem pensar muito criticamente, bem "brainstorm" mesmo. "Brainstormy-lines". Vamos lá:

1. Anselmo sonha em ser galã de cinema, mas, sendo muito baixo para seu peso e tendo o corpo diminuto em relação à cabeça e esta pequena em relação ao nariz, o ápice de sua carreira foi o papel de pinguim figurante num documentário sobre ursos polares. O papel é cancelado quando o diretor descobre que não há pinguins no ártico e Ancelmu deside entãu tornarce roterista. Para tantu, vai precisar se aufabetisar melór.

2. Nelsoneide sempre desejou ser jogadora profissional de basquete e, para realizar seu sonho, muda-se para Osasco em busca de uma oportunidade no time da financeira Deskobra. Após lutar muito contra o preconceito e a discriminação (querem impedi-la de ser profissional no basquete só porque ela tem 1,47m de estatura média!), acaba desistindo do basquete ao descobrir seu verdadeiro talento: torna-se modelo fotográfico e atriz de comerciais de produtos infantis.

3. Nelsoneide é convidada para trabalhar no filme "Omleth", baseado na peça anônima (que significa "de mesmo nome", explico pro cara do espelho, que não sabe muita coisa) de Guillermo Shakesperm, onde deveria contracenar com Anselmo, que tenta, pela última vez, trabalho como ator. Ele chega a gravar uma cena, no papel de um tucano falante com o qual Omleth trava um duelo verbal, mas a cena é excluída na edição porque a história se passa na Lapônia e não há tucanos no subártico. Assim, Nelsoneide e Anselmo acabam não se conhecendo e perde-se a chance de produzir uma comédia romântica sobre pessoas de baixa estatura média.

4. Niceleide vive em uma cidade pacata. É tudo tão calmo, lá... nada acontece e sua vida não rende nem uma story-line. Decide, então, mudar seu nome para Nelsoneide e se mudar para a cidade grande para tentar a carreira de jogadora profissional de basquete.

Na manhã seguinte, antes de fazer a barba, conto ao cara do espelho sobre as minhas brainstormy-lines.

-Você é doente. Devia procurar ajuda profissional, um psiquiatra, neurologista, terapeuta, os harekrishna, um veterinário, qualquer coisa.

É mais ou menos neste momento que decido deixar a barba crescer.

sábado, 14 de junho de 2008

quatrestações senhuma


vento
folhas
árvores magras
seca
frio
chuva
verde
flores
vento
pólen
e tudo que não verão

sexta-feira, 22 de fevereiro de 2008

outoninvernando

.

vento nos galhos
sopra seco e forte
e as velhas folhas dançam
farfalhantes castanholas
num baile de liberdade
desapegando-se
partindo
. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . voando
como
fosse
vida
vôo
queda
livre
nada
além
nada
aquém
tudo
vão
agora
o chão
e mais nada.

quinta-feira, 24 de janeiro de 2008

Retorno

.
após quanto tempo
o mesmo lugar

enquanto estava onde

o tempo passou
sem mim
.

segunda-feira, 12 de novembro de 2007

outro

.
outro é quem
me define
nomeia
dá existência

outro delimita
estas bordas
e assim
cria a si mesmo
.

sou apenas como sou

.
o que . . . . . é do outro
. . . . . . não
deve . . . . . . . . . . ser meu
. . . . . . ou não
. . . . . . . . ?
.

quarta-feira, 17 de outubro de 2007

metal na madeira

.
há algo de chumbo
neste entardecer de primavera
que o outono invade


****