sexta-feira, 26 de fevereiro de 2016

Sob o céu, dois pés no chão


Escrever um poema sobre o céu
sem rimar "Lua" com "nua",
sem a melancolia do azul,
nem falar em paz eterna,
nem de paraíso,
nem de chuva, nem de granizo,

um poema sem duplo sentido,
sem nuvens branquinhas
(que parecem de algodão)
e sem falar na cor do chumbo

um poema sobre o céu,
sem peso e sem leveza,
sem horizonte
e sem sol escaldante,

um poema, aliás, e principalmente,
que não diga "firmamento".

Um poema sem propósito:
apenas o chão por baixo,
o céu por cima
e nós entre essas duas linhas

escrever um poema sobre o céu
só pra ler as estrelinhas.

 

Um comentário:

  1. Já escrevi poemas sobre pontes. Só pra ter um caminho. Ou uma plataforma, sei lá...
    E é engraçado: quando escrevemos sobre o céu, queremos que ele exerça algo sobre os que estão sob ele... Mas não paramos pra observar que o céu - bem como as pontes que já inventei de criar - pode só estar lá por estar. Só pra ter estrelinhas.

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