domingo, 30 de novembro de 2008

ainda *

.
nada de novo

e o nada
se desmanchando
em algo
velho

de novo

.
________________________
* Publicado originalmente no
Sindicato dos Escritores Baratos

quinta-feira, 27 de novembro de 2008

tentativa de haicai (8)

.
dança da chuva

as folhas no jardim
brincam de roda

(10.abr.2005)
.

quarta-feira, 26 de novembro de 2008

tentativa de haicai (7)

.
cheiro de terra molhada:

a doce lembrança
de chuvas passadas

(07.abr.2005)


terça-feira, 25 de novembro de 2008

tentativa de haicai (6)

.
sinto um pé molhado
na sola do sapato
um furo novo

(07.mai.2005)

segunda-feira, 24 de novembro de 2008

??!!


..
in,

.....
con,

..........GRU
...............&
..................cia.
......................ltda.
(07.mai.2005)

domingo, 23 de novembro de 2008

4 x 6 x 6

.
. . . . . . apesar do que parece
. . . . . . dá um trabalho danado,
. . . . . . chego a dizer uma prece
. . . . . . pra ver se fico inspirado

. . . . . . poesia como prosa
. . . . . . deixando de lado a rima,
. . . . . . margarida pela rosa
. . . . . . e todo trabalho acima

. . . . . . é preciso, mais ainda
. . . . . . escapar do triste fado
. . . . . . de quando o poema finda
. . . . . . parecer tudo orquestrado

. . . . . . temos que fugir do siso,
. . . . . . acabar com toda forma,
. . . . . . além disso, é preciso
. . . . . . não seguir nenhuma norma

. . . . . . a gente faz muito estudo
. . . . . . no mundo contemporâneo
. . . . . . pra escrever, no fim de tudo,
. . . . . . um poema espontâneo.

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Publicado originalmente nos Rascunhos Poéticos
.

sábado, 22 de novembro de 2008

Sábado


dia de faxina:
colocar o que vai aonde
o gato da casa se esconde
e eu queria estar lá na esquina.

quinta-feira, 20 de novembro de 2008

anúncio


...poema procura autor:
...escreve-me
...e descrevo-te.
(31.mar.2005)

*

terça-feira, 18 de novembro de 2008

( I )


sonho com você na chuva

acordo com os olhos úmidos
e a boca seca
(jan.1995)
.

domingo, 16 de novembro de 2008

anel de diamante


. . . .
uma réstia
. . . . neste dia
. . . . tornado noite
.

quinta-feira, 13 de novembro de 2008

-?-

. . . . . . . . . .Vale profundo:
. . . . . . . . . .O eco é som,
. . . . . . . . . .ou lembrança?

(27.out.2006)

quarta-feira, 12 de novembro de 2008

5,2,1


De querer tanto não ser,
. . . . . . . . não foi.
. . . . . . . . . . Ficou.

(11.jan.2002)

terça-feira, 11 de novembro de 2008

^*w*^


. . . . .
amor

. . . .de morcego
. . . . é . .cego.

. . . . . mor
. . . .de .o cego,
. . . . . morcego!

. . . . . mor
. . . .de .o
. . . . . morcego,
. . . . .amor!

. . ou:

. . . . . .mor.......ce.
. . . . . :. . . . . . :
. . . . . :. . .de. . .:
. . . . . :. . . . . . :

. . . . . a............go


.
(07.mai.2005)

segunda-feira, 10 de novembro de 2008

Sombra a pino*

...os passos pesados, como tivesse as solas pegajosas.
Foi quando viu a sombra, derretida, escorrendo caminhos próprios.


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*editado após a publicação.

domingo, 19 de outubro de 2008

Déjà vu

.
...e há estes dias
em que morro
sempre um pouco
pela primeira vez.
.

sábado, 18 de outubro de 2008

Elementar, meu caro senhor *

.
Quando meu livro está fechado
(ou mesmo aberto)

sem ser lido
não sou
não percebo
o tempo
. . . . . . (se é que passa)
o espaço
. . . . . . (se é que espaça)

portanto, meu senhor
nada posso declarar
acerca dos fatos
daquela noite

que nem sei mesmo
se aconteceu
ou se era noite

mas, se quer mesmo saber
leia o livro
e, por favor,

solte o mordomo.
______________________
* publicado originalmente no
Sindicato dos Escritores Baratos

sexta-feira, 10 de outubro de 2008

Avesso do avesso*


Era de um ateísmo fervoroso.

Até concluir que qualquer coisa
que gere tamanha descrença,
tamanho desprezo, não poderia
simplesmente inexistir.

O novo hábito não lhe caiu mal.


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* publicado originalmente nos minimínimos.

quinta-feira, 21 de agosto de 2008

Mesa de bar *

.
I

- ...é um paradoxo, seja lá o que se faça, a ética será ferida. De um lado...
- Quanta besteira! Certo é certo, errado é errado!
- Bah! Tu sempre estragas a discussão! Já íamos tão bem...

II

–... eu pago, faço questão.
–De modo algum! Eu convidei!
–Meio a meio?
–Tá, é justo.
–Ihhh, rapaz...! Esqueci a carteira.
–...eu ia te pedir emprestado para pagar a minha parte...
_______________________________
* publicados originalmente nos minimíminos.

quarta-feira, 20 de agosto de 2008

Flores para los sueños *



Toda a vida sonhou com uma mulher em meio às flores.
Sempre a mesma, poderia reconhecê-la em qualquer lugar.

Até o dia em que a viu de relance, mas já estavam fechando o caixão.

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* publicado originalmente nos
minimínimos em 31.mai.2008.

segunda-feira, 18 de agosto de 2008

- - - - - - - *


Era a pessoa mais maravilhosa do mundo.

Nunca mais se viram e ninguém jamais esteve à altura.
__________________
* publicado originalmente nos
minimínimos em 02.ago.2008

domingo, 20 de julho de 2008

Caverna

(30.mar.2005)

do mundo . . . . . . . . . . . . . . . . . .
das coisas . . . . . . . . . . . . . . . . . .
vejo apenas . . . . . . . . . . . . . . . . . .
as sombras . . . . . . . . . . . . . . . . . .

silenciosas . . . . . . . . . . . . . . . . . .
intocáveis . . . . . . . . . . . . . . . . . .
inodoras . . . . . . . . . . . . . . . . . .

o resto . . . . . . . . . . . . . . . . . .
é o que sinto . . . . . . . . . . . . . . . . . .

e não sei dizer . . . . . . . . . . . . . . . . . .

domingo, 22 de junho de 2008

A Vítima

.
— ...a repórter Paloma Bernardo traz mais informações do local. Paloma, é com você.

— Wesley, estamos em frente à residência da família Prudente Feitosa, esperando a chegada de Carlotta Prudente Feitosa, libertada hoje após quatro semanas em cativeiro. Há muito movimento, repórteres, viaturas da polícia e curiosos que esperam ver a sobrinha do senador Prudente Feitosa, seqüestrada há vinte e sete dias. O contato com a família só foi feito dez dias depois. As negociações aconteceram em segredo. A família proibiu a interferência da polícia e da imprensa, aparentemente seguindo determinação dos seqüestradores. Fontes familiares dizem que houve polêmica quanto ao pagamento do resgate milionário. O valor exato é desconhecido, assim como a origem do dinheiro. Segundo informações, o dinheiro foi entregue ontem à noite. Carlotta foi libertada na madrugada de hoje e foi levada à delegacia de seqüestros pela polícia militar. Ela saiu de lá há pouco, acompanhada de familiares. Estão chegando. Vêm escoltados pela polícia. O senador está saindo do carro. Aparecem outros familiares. Finalmente, Carlotta, de óculos escuros, desce do carro. É improvável que faça alguma declaração neste momento. Parece desorientada e é amparada pelo pai. Acena para a multidão e caminha para a casa. A mãe abre a porta, chorando. É emocionante! As duas se abraçam e entram. O senador está se aproximando, talvez faça alguma declaração.

— Senador, como está sua sobrinha após ser vítima deste seqüestro?

— Está abalada, pobrezinha... Esta brutalidade não tem tamanho! Todos nós fomos vítimas! Estamos todos reféns destes bárbaros! Não há segurança com este governo inoperante e incompetente. Vítima é quem paga resgate. Nós fomos roubados! Ela foi apenas refém! Eu que fui a vítima!! É vergonhoso um senador da república ser roubado assim! Eu que fui a vítima!...

— Voltamos ao estúdio para outras informações.
.

domingo, 15 de junho de 2008

Um Sólido*

.
Multifacetado
quase esférico
po-li-é-dri-co

as inúmeras faces, como espelhos
multiplicam, deformam, aumentam

em todas
o reflexo

desta

confortável

solidão


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* publicado no "Sindicato dos Escritores Baratos" em 10.jan.2008

sábado, 14 de junho de 2008

até a uva passa


. . . . . . . .
fora de estação
. . . . . . . . o sabor da fruta
. . . . . . . . só que não.

quatrestações senhuma


vento
folhas
árvores magras
seca
frio
chuva
verde
flores
vento
pólen
e tudo que não verão

terça-feira, 27 de maio de 2008

Até o Átomo *

.
divide-se o poema:

estrofes

versos
palavras
fonemas
sílabas
letras
traços
pontos

moléculas de tinta

na trama do papel.

ou então:


bytes

bits
elétrons

partículas

. . . .fundamentais.

divide-se

analisa-se
busca-se
. . . sentido

e perde-se o poema


um poema

. . . . não é uma coisa

poesia

. . . acontece.

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* publicado originalmente no
blog "O reverso do verso".

quarta-feira, 21 de maio de 2008

consentido


sentido obrigatório,
a placa indicava.

obrigado, senti.

(28.out.2007)

segunda-feira, 19 de maio de 2008

IMPRESSÃO DIGITAL

.
negro de fumo
carbonato
pó de alumínio

c i a n o a c r i l a t o

arcos, presilhas
deltas, verticilos

doze pontos e uma

i d e n t i d a d e
.

sexta-feira, 16 de maio de 2008

No início era o mínimo

.

ominimo
minim
ini
n

quinta-feira, 15 de maio de 2008

pela vida afora

.
luto
pela vida que se foi
pela vida que resta
pela vida que virá
luto
.