(Um momento de epifania, (d)escrito um dia depois de ver e ouvir o Presidente Lula ao vivo.)
O tempo passa. Em algum momento, todos vamos nos sentir como espectros mais ou menos invisíveis vagando ou passeando pelo mundo. Não seremos vistos como quando éramos jovens e tínhamos uma turma, ou muitas turmas. Mas estamos ali, vendo e sendo vistos por alguns poucos que ainda olham para quem, aos olhos de outros, já passou.
Em algum momento, começamos a nos emocionar com bobagens-que-não-são-bobagens.
É um privilégio viver o suficiente para reconhecer a beleza indescritível dessas coisas. Algumas são, de fato, extraordinárias; outras são do cotidiano. E todas merecem todo o carinho e toda a maré alta que invade esses olhos. Olhos (talvez) já cansados de querer ver, (talvez) cheios de esperança que talvez não nos baste,
Não somos nada, não podemos querer ser nada, mas chega um dia em que reconhecemos todos os sonhos do mundo em nós e num único momento. Mágico momento. Um momento triste e feliz, que pode ser alegre ou não, mas deixa um vago perfume de esperança, de um querer bem intransitivo, universal. Um amor ao mundo, à existência, indefinível, impossível de descrever, mas que basta a si mesmo. E a nós. Compaixão.
Somos eventos, acontecimentos, fenômenos, muito mais que nossos corpos perecíveis que passam.
Ubuntu:
Sou porque somos.
Enquanto houver humanidade, todos estaremos aqui.

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