a temer , o que? a temer, o ovo da serpente: a temer, a própria traição a temer, o desprezo dos traídos a temer, o desprezo dos que compram traidores a temer, não a morte, que a terra é leve a temer, não a terra, que é leve e fértil a temer, a lama. a temer, nada, senão o próprio medo. nada a temer, senão o próprio medo. a temer, o medo. muito medo a temer.
...e o dia amanhece lá fora. O sol se põe em Beijing chove em Bora Bora. Tanto queria queria ficar quanto queria ir embora. Só sei que o amanhã de ontem chegou e já é agora.
Após mais tempo do que devia, passeio pelos blogues nos quais, em outros tempos, encontrei a sintonia necessária em um mundo que se desintegra. Conheci blogues de loucos, poetas, sonhadores, muitos perdidos em sua sabedoria às avessas. E havia o meu, que me dava acesso a este grupo tão seleto de blogueiros. Muitos blogues sumiram. Dos restantes, tantos, como os meus, parecem condenados à melancolia do abandono. Os raros comentários nas postagens esparsas são sinais de alento, dizendo aos autores que não estão sós nesta solidão. Conheci muita gente bacana, as trocas de comentários e idéias semeavam e alimentavam novos escritos, junto com a sensação de pertencer a algo, talvez um exército de quixotes, cetáceos quase extintos, subindo à tona para respirar. O passeio foi bom e triste. Admiro e fico feliz por quem segue escrevendo, mesmo na sensação de que ninguém lê. (Afinal, para quem escreve quem escreve?) Também admiro e compreendo quem desistiu. (Atire a primeira pedra quem nunca.)
Este espaço segue aqui, por enquanto, à míngua de escritos novos, mas marcando a possibilidade da existência, ainda que em estado latente.
A busca do sentido é o próprio sentido. Para evitar a lucidez da loucura, busque uma ilusão, um fanatismo, algo que preencha o vazio dos dias. Trabalho, Família, Religião, Política, Diversão, Arte, qualquer coisa serve para tornar mais leve a espera.
onde o deserto troca de lado mas segue, sempre, deserto vazio cada vez menos tanto em cima como embaixo a areia que resta é a vida que escorre enquanto o último grão solitário beduíno assiste ao mundo que some até o início dos tempos.
Faltava descobrir o que faltava depois, faltava lutar por mudança daí, faltava descobrir que eu é que precisava mudar Depois, faltava ver que eu tinha mudado
Fica esta frase atribuída a Sócrates (469–399 a.C.) em seu estado normal
ou a qualquer intelectual material-racionalista-existencialista em um raro momento de epifania.
Embora seja, de fato, resultado de um lapso de escrita acidentalmente revelador de algo que permanece incompreendido.
Culpa do teclado, que insiste em trocar as letras (e/ou palavras) do autor destas maltraçadas.